• Wilson Sagae

A Vida de Tempu Nakamura (3)

Por Sawai Atsuhiro

UM ESTRANHO MISTERIOSO

Algumas horas mais tarde, um funcionário africano, do hotel, ficou sabendo de Saburo e o avisou: “Se você sair sem comer alguma coisa, vai morrer.” O forte homem carregou-o nos braços para o restaurante do hotel. Saburo pediu sopa, mas em sua condição de fraqueza, o sabor do alimento era de areia.

Foi quando ele percebeu um homem vestido de púrpura, sentado cinco ou seis mesas adiante. Sua pele era marrom, e ele parecia ter algo em torno de sessenta anos. Na verdade, aquele homem tinha quase cem anos. Dois homens estavam em pé logo atrás e demonstravam enorme admiração.

“Talvez ele seja um chefe tribal,” Saburo pensou consigo mesmo.

Grandes moscas egípcias, do tamanho de um dedão, voavam por todo o restaurante. Uma dessas moscas pousou na mesa, frente ao misterioso homem. Ele apontou a mosca e o poder de sua vontade pareceu ter afetado o inseto que ficou sem movimento. Um garçom a apanhou com duas varetas e jogou-a em um cinzeiro.

“Será um mágico?” Saburo admirou-se. O homem olhou para Saburo e sorriu. Saburo, que ficou comovido com a atenção do estranho, sorriu de volta quase sem forças. O velho homem ordenou: “Venha aqui!”

Em um instante, Saburo encontrou-se em frente a ele como se tivesse sido atraído por um forte magneto. O homem o observou com atenção durante um instante.

“Você tem uma séria doença em sue pulmão esquerdo. Você está decidido a ir para casa morrer. Mas, meus olhos me contaram que você não está destinado à morte, ainda. Venha comigo, amanhã.”

“Certamente,” Saburo respondeu sem pensar, surpreso com as próprias palavras.

Ele contou a história para o amigo filipino, que respondeu, “Ele pode ser um traficante de escravos, e você pode ser vendido!” Ele tentou deter Saburo de ir com o misterioso homem. A situação parecia séria, e seu amigo filipino começou a chorar. Mas a mente de Saburo estava decidida.

Na manhã seguinte, quando Saburo foi aos bancos de areia do rio, atrás do hotel, ele viu um navio com três velas amarradas. A bordo do navio estava o homem. Ele simplesmente disse, “Você está salvo.”

Saburo não perguntou quem ele era, onde o estava levando, ou mesmo se ele poderia salva-lo. Seu silêncio trouxe interesse e encantamento ao “homem de púrpura.”

AOS PÉS DO HIMALAIA

Após uma jornada de três meses, eles chegaram à uma vila na Índia chamada Gorkhe, quem se localizava aos pés do terceiro pico do monte Kanchengjunga , no Himalaia. Essa vila era um antigo sítio histórico, onde os yogis iam para praticar sob a direção de seus gurus ou professores. O estranho homem era um líder espiritual, um adepto do yoga chamado Cariapa (Kaliapa). A família real britânica, uma vez, o convidava uma vez por ano para ver o rei, e Saburo o havia encontrado, por acaso, no Cairo, quando o homem santo estava em seu caminho de retorno à Índia. Esse encontro foi um momento crucial na história, e não meramente por ter salvo a vida de Saburo. Mas para Nakamura Saburo eventualmente tornar-se o homem conhecido no Japão como Tempu sensei, fundador do sistema Shin-shin-toitsu-do de yoga japonesa. E ele, por sua vez, resgatar muitas pessoas no Japão da doença, enquanto ajudava incontáveis outras.

Nessa vila yogue, o velho homem cuidou de Saburo. Ele lhe deu uma cabana muito simples para viver. Como Saburo pertencia à mais baixa das classes (casta), e Cariapa era da mais alta, Saburo foi avisado a não conversar diretamente com ele.

Todas as manhãs o guru aparecia para receber os cumprimentos de seus estudantes. Saburo e outros foram avisados para se prostrarem no chão e era proibido a eles olhar para cima.

Os dias foram passando desse modo, mas Cariapa não ensinava coisa alguma a ele. Saburo pensou em que o guru o chamaria imediatamente para instruções, mas mas de um mês havia se passado. Tinha Cariapa esquecido a promessa que ele tinha feito no hotel no Cairo? Saburo não poderia esperar muito mais, e quando o guru tomou seu caminho alguns dias mais tarde, ele se levantou subitamente e disse, “Eu tenho uma pergunta!”

Cariapa sorriu seu cortumeiro grande riso. Saburo soube então que ele não havia esquecido sua promessa.

“Você me disse, no Cairo, que iria me ensinar. Quando irá fazr isso?”

“Eu estou pronto para começar a qualquer momento, mas é você que não está pronto ainda.”

“Eu estou pronto. Eu vim aqui por nenhuma outra razão.”

“Você não parece pronto. Eu vou explicar. Traga-me uma pote de barro cheio de água gelada.”

Havia alguns potes de água gelada deixados aqui e acolá. Saburo pegou um deles e levou par ao guru. Depois, Cariapa ordenou que ele trouxesse um pote cheio de água quente. Saburo o fez.

“Coloque essa água quente no pote de água gelada,” o professor disse, ainda que o pote já estivesse cheio de água gelda.

“A água vai vazar se eu fizer isso, “Saburo respondeu.

“Como você sabe disso?”

“Porque é uma coisa simples de se ver,” Saburo disse indignado.

“O mesmo pode ser dito a seu respeito. Sua mente está cheia de outras coisas. Você está pensando, ‘Eu estudei medicina na América, Eu sou de uma país civilizado, Eu li muitos livros de filosofia.’ Você também está cheio de orgulho. Se você não se esvaziar, não importa o que eu diga não irá entrar em sua mente, certo?”

Assustado, Saburo entendeu imediatamente e foi levado a recuar.

“Você parece me entender agora. Tudo bem. Eu começo a te ensinar a partir de amanhã pela manhã. Por favor, venha para o meu quarto com a mente como a de uma bebê recém nascido.”

0 visualização

Posts recentes

Ver tudo

A Vida de Tempu Nakamura (6)

Por Sawai Atsuhiro RETORNANDO AO JAPÃO Antes de voltar ao Japão, Saburo foi à terra, em Shangai, para uma troca de navios. Ali ele encontrou um de seus velhos amigos, o sr. Enza, embaixador japonês na

A Vida de Tempu Nakamura (5)

Depois de alguns dias, Saburou notou que era capaz de ouvir cigarras trinando, o som do vento tocando a folhagem, e mesmo o uivo de uma pantera e de um lobo no fundo da floresta. Feliz, ele contou tud