• Wilson Sagae

A Vida de Tempu Nakamura (4)

Por Sawai Atsuhiro

PRIMEIROS PASSOS NO CAMINHO

Enfim Saburo começou seus treinos em yoga.

O mais importante passo foi aprender como realizar kumbhaka, um estado psicofísico que era dito estava relacionado com o corpo espiritual que pode suportar todos os tipos de dificuldades cruéis das montanhas do Himalaia.

Seu professor de yoga deu apenas dicas sobre como conseguir isso: “Mantenha seu corpo como uma garrafa cheia de água com pressão uniforme ao redor. Isso é kumbhaka."

Os yogis que estavam ávidos de realizar kumbhaka entravam em uma corrente rasa e sentavam na água para meditar. A água era gelada como gelo, porque ela vinha da neve derretida dos Himalaias. Com a parte baixa do corpo sob a água, eles buscavam adotar uma postura yogi que os capacitava a suportar o frio gélido.

Um dia, a Saburo foi permitido praticar com os outros yogis. O guru contou a ele que um homem velho, com aproximadamente 90 anos, estava fazendo isso a anos, mas ele ainda não tinha sido capaz de permanecer na postura naquelas condições inóspitas. Saburo, no entanto, depois de algumas semanas descobriu-se capaz de permanecer na água gelada.

“Agora você está chegando lá,” Cariapa chamou-o enquanto Saburo estava no rio. Mas, uma vez que Saburo estava fora do rio, o guru chorou, “Não, não ainda!”

Saburo queria saber porque ainda não estava bom o bastante para seu mentor. Ele voltou a praticar no rio, e poucos dias mais tarde, depois que ele tinha saído do rio, o professor de yoga aproximu-se dele e disse feliz, “Agora você chegou lá. Tanto quanto eu sei, você foi a passoa mais rápida a alcançar kumbhaka." (Cariapa parece ter ensinado a muitos Raja yoga e pranayama – meditação yoga e exercícios respiratórios. Saburo parece ter recebido poucas instruções em exeercícios de alongamento e posturas físicas de Hatha yoga, as quais são as formas de yoga mais largamente praticadas no ocidente.)

Para Saburo, a comida parecia ser de pouca qualidade na vila yogue – algumas vezes apenas painço ou grama de curral mergulhada na água era servida sobre folhas de figo. Um dia Saburo reclamou a seu professor, “Eu estou sofrendo de tuberculose. Quando estava na Europa, eu costumava me alimentar de comida nutritiva como carne e ovos, todos os dias. A comida é porbre por aqui. Ele realmente vai sustentar meu corpo?”

Cariapa respondeu, “Olhe para aquele elefante. Ele tem um corpo poderoso mas não come carne ou ovos.”

Depois de mais algum tempo, Saburo, de um modo misterioso, parou de vomitar sangue. Sua febre baixou, e chegou mesmo a ganhar peso.

A princípio ele pensou, “Este ar puro deve ser bom para minha saúde.” Gradualmente ele veio a acreditar que podia ser a dieta vegetariana que estava melhorando sua saúde.

Desde que ele realizou kumbhaka, o guru começou a leva-lo a uma cachoeira nas profundezas da montanha a fim de meditar. Eles – o professor de yoga cavalgando um burrico e Saburo a pé – iam para a montanha todos os dias.

Havia uma pedra plana próxima à base da queda d’água. Na primeira visita, Cariapa apontou para a pedra e disse, “Sente ali e pense porque você nasceu neste mundo.”

Saburou sentou naquele local e pensou sobre as questões durante muitas horas. A tarde, o guru apareceu de repente e perguntou pelas respostas às questões. Sua resposta estava errada, e Cariapa bateu nele.

Naquele momento chocante, Saburo deu-se conta que havia nascido com a grande missão de criar em uníssono com o criador do universo. Ele sentiu que ele era um com esse espírito universal, e que ele compartilhava da mesma sabedoria. Ele contou isso para Cariapa e dessa vez o guru felicitou-o, dizendo, “Muito bem.”



A VOZ DO CÉU

Mesmo com sua realização, Saburo e Cariapa continuaram visitando a queda d’água para meditação. A princípio, Saburo ficou perturbado pelo som ensurdecedor da queda d’água. Ele reclamou para eu professor, “Aquele som é terrível e ensurdecedor. Aquilo me deixa louco. Não posso meditar em algum local mais pacífico?”

Cariapa respondeu, “Eu pensei profundamente a esse respeito, e escolhi aquela rocha para sua meditação.”

“Porquê?”

“Para te ajudar a ouvir a Voz do Céu.”

“A Voz do Céu?”

“Sim.”

“O céu tem uma voz?”

Saburo respeitou o professor, mas ele ainda tinha algumas dúvidas a respeito da idéia da “Voz do Céu”. Ele pensava que tinha vindo de uma sociedade civilizada, e ele sentia que agora estava em uma não civilizada, em uma parte do mundo sem educação.

Ele perguntou de modo cínico, “Você tem ouvido a Voz do Céu?”

“Sim, eu a escuto todo o tempo. Eu a estou escutando mesmo agora, conversando com você deste modo.”

Saburo não conseguia entender sobre o que o guru estava falando.

“Se você está perturbado pelo som da queda d’águam você não pode ouvir isto. Nem mesmo ouvir as Vozes da Terra.”

“Você está dizendo que há Vozes da Terra também?”

Cariapa explicou, “”Bestas uivam, insetos trinam, pássaros cantam, o som do vento – estas todas são Vozes da Terra.”

“Eu posso ouvi-las todas.”

“Você pode ouvi-las estando na base da queda d’água?”

Sem pensar, Saburo replicou, “Não, isso é impossível. Naquela barulho terrível, não é possível ouvir coisa alguma.”

“Desde que você pense desse modo, você não pode ouvi-los. Tente ouvir, hoje, as Vozes da Terra. De fato, primeiro tente e então veja se você pode ouvi-las ou não.”

Saburo tentou, mas o barulho trovejante se sobrepos e ele não conseguiu ouvir coisa alguma. Mas, poucas horas depois, ele estava de olhos fechados e sentado calmamente sobre a rocha, o som fraco de um pássaro cantando cheogu aos seus ouvidos.

Ele abriu os olhos e viu alguns pequenos pássaros coloridos voando de uma rocha para a outra. No começo, isso pareceu um tipo de alucinação, mas a seguir, ele pode ouvir claramente o pássaro cantando do mesmo modo que os via os bicos em gancho se movendo.

“Agora eu posso ouvir!”

Então ele se deu conta que quando ele tentava com muita intensidade ouvir, ele não ouvia. Mas quando ele nada fazia, em sua mente podia crescer a calma e o vazio, e então ele captava o trinar dos pássaros.

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