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  • Andrei Moscheto

Bruce Lee ensina melhor em português


Bruce Lee foi um mestre em artes marciais que ajudou muito a difundir este universo através do cinema. Se você foi criança nos anos 80, como eu, ele era um ícone presente por todos os lados, sempre aparecendo com seu nunchaku e prometendo acabar com tudo e com todos. Então, quando surgiu a oportunidade de assistir ao filme “Operação Dragão” no SBT, na madrugada de um dia que nem me lembro mais qual era, rolou uma ampla negociação com os meus pais para que eu pudesse ver a lenda em ação - e eles deixaram.


Eu nem vou falar sobre o filme inteiro, não. Só vou falar sobre uma das primeiras cenas de luta, quando Bruce Lee vai enfrentar um dos capangas do vilão principal do filme, O’Hara (interpretado pelo ator Robert Wall), que tem uma imensa cicatriz no olho esquerdo. Eles vão se enfrentar numa luta oficial, com pessoas ao redor assistindo, e O’Hara traz uma tábua de madeira com ele. Seguindo o protocolo de qualquer campeonatinho de artes marciais, ambos cumprimentam o juiz e viraram para se cumprimentarem. Nessa hora só Bruce Lee se curva. O’Hara fica esperando o cumprimento terminar para, na cara do adversário, pegar a tábua de madeira e quebrá-la com um soco. Bruce Lee vê tudo isso e solta a frase que ficou para a história dos filmes de artes marciais:

- Boards don’t hit back! – o que, em tradução literal, seria “tábuas não batem de volta”


Foi este o momento cinematográfico que eu me lembrei para conversar com os meus alunos sobre socos e sobre relaxamento na hora de aplicá-los. Todos os filmes de artes marciais vão dar a impressão de tensão/força/dureza do braço para que um soco seja aplicado e, quando você começa uma aula de artes marciais, a pessoa responsável pela aula vai te dizer “relaxe seu braço ao máximo, tanto para conseguir mais força, quanto para ter mais velocidade” e o seu cérebro dá bug. Por que eu deveria relaxar para dar um soco?


Porque tábuas batem de volta! E ossos. E músculos. E sacos de areia. É uma lei da física muito conhecida, de um rapaz chamado Newton, dizendo que ações tem reações. Ao aplicar um vetor de força essa mesma força se volta pra você, ou seja, se você estiver rígido tudo o que você aplicar se volta contra você mesmo.


Por isso eu prefiro a dublagem em português de Operação Dragão! Quando acontece a cena, Bruce Lee olha pro outro e diz:

- A madeira não revida!


Aí sim! Madeiras não tem consciência para pensar em ações de contra-ataque, isso eu concordo. Eu sei que o desejo dos autores era ter essa conotação em inglês – e tem, é uma das conotações possíveis – mas é bem legal poder dizer que algo soa melhor na nossa língua. Então, se quiser buscar conhecimento dentro de obras cinematográficas, talvez seja melhor ficar com as opções dubladas.


Andrei Moscheto

coordenador do Instituto Shukikan

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