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  • Andrei Moscheto

Homem pode chorar


Hoje eu queria falar sobre deixar de sentir.


É muito problemático não ser permitido a sentir. Se você fosse proibido de reconhecer a sua fome, sede, a necessidade de dormir, seu corpo entraria em parafuso rapidamente. É fácil de reconhecer quando são necessidades básicas corporais, mas muito mais difíceis quando são coisas mentais e sentimentais. Muitos nem reconhecem que são proibidos ou se proíbem de se emocionar e só vão descobrir os efeitos nefastos dessa mutilação tarde demais.


Esse encadeamento de pensamentos veio porque esta semana escutei um mestre zen numa entrevista dizendo que homens aprendiam a estar felizes e com raiva – nada no meio disso. Aceitar sua tristeza é fraqueza. Reconhecer um defeito é fracasso. Pedir desculpas é impossível. Todos tem uma multiplicidade de sentimentos em relação a si mesmos e aos outros e aceitar isso e permite que a pessoa seja muito mais plural.


Qual é a vantagem de você não sentir emoções? Ela é muito eficiente quando faz de você uma máquina de obediência em que você responde a uma hierarquia sem questionar abusos, erros, equívocos. Mas o que acontece quando a máquina de obediência está sozinha, por conta própria, sem tem a quem obedecer? O que acontece quando alguém que se sente proibido de sentir emoções é colocado em cheque em seu relacionamento, em sua relação parental, em perceber os sentimentos que aparecem quando não se está em ação?


Se esconder atrás de uma prática marcial, de outros exercícios, de um trabalho ou empreendimento pessoal, só adia o momento em que você poderia começar a entender o que realmente está acontecendo. Você precisa se permitir parar e sentir. Quebrar ciclos de geração, esquecer a estúpida frase “homem não chora” ou qualquer violência deste naipe que perpetue um comportamento muito tóxico.


Todes são livres para chorar. Todes podem permitir seus sentimentos de existirem. Quanto mais cedo a exploração começa, mais cedo essas emoções deixarão de comandar sua vida para serem guias de vidas mais plenas.


Andrei Moscheto

coordenador do Instituto Shukikan


Foto de Daniel Reche no Pexels

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