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Meu breve caminho pelas artes Marciais

Este é um post que poderá ter adendos no futuro


Já fazia um tempo que eu queria escrever qual foi o caminho que tive nas artes marciais até chegar em Ki Aikido. Isso é, em parte, para poder observar de onde vem os conceitos marciais que carrego comigo - tanto pra você, leitor ou aluno, quanto pra mim mesmo. Vai ser um desses artigos deste blog que eu nem vou fazer questão de compartilhar. Fica sendo um segredo entre você e eu.


Minha primeira arte marcial foi o judô. Fiz no Centro Cívico de Curitiba, no Clube dos Subtenentes e Sargentos. Foi lá que aprendi meus primeiros conceitos, falei minhas primeiras palavras em japonês, mas minha lição mais importante dessa época foi sobre racismo. Eu era pequeno, falei alguma bobagem e os senseis me puxaram de lado e me descascaram. É engraçado como até hoje sinto o choque da bobagem que falei e do quanto aquela lição foi importante pra mim. Meu treinamento de judô continuou depois no Clube Thalia, mas não lembro se fui além da faixa amarela (branca, cinza, azul, amarela foram os níveis de graduação pelos quais passei).


Nesse meio tempo, na escola, eu tinha amigos que praticam Muay Thay e eram pirados em filmes do Jean Claude Van Damme (eu também, né? Nada mais "adolescência anos 90" do que isso) e a gente fazia muito nunchaku com cabo de vassoura comprava uns livros nas banquinhas de jornal que ensinariam você os segredos do karatê, do judô, mas especialmente do ninjutsu. Tudo mentiroso e mal feito. Mas a informação das poses ficou no insconsciente - e, até hoje, eu sei mexer mais ou menos com nunchaku.


Na sequência eu fui fazer Tae Kwon Do no meu bairro, no Ahú (em Curitiba), com o professor Gilson. Ele dizia que tinha sido o instrutor que ensinou a PM paranaense a utilizar a tonfa, o que eu nunca investiguei para saber da veracidade. Só sei que foi lá que eu aprendi a chutar, socar e, especialmente, a me alongar. Por causa da aula? Não, por causa que um dos meus colegas, que era fã de Jean Claude Van Dame (olha aí!) e que começou a fazer uns alongamentos muito loucos porque ele queria ser capaz de fazer alongamento 180 graus em cima de duas cadeiras por conta do filme "O grande dragão branco". Na escola de Tae Kwon Do tinha um trilho com dois apoios para forçar o alongamento e a gente fazia porque Jean Claude era nosso ídolo.


Depois veio o Japão. Fui fazer intercâmbio cultural por lá, em 1994, e foi lá que entrei em contato com o karatê. Quando eu falo isso pras pessoas elas imaginam um monastério na montanha, eu correndo por uma escada de pedra com mil anos de idade enquanto neva e meu professor diz "mais rápido" em japonês. Mas não foi assim. Era um "clube", que são as atividades extracurriculares que você faz na sua escola. O "clube de karatê" era formado por dois alunos que praticam karatê e eu. Desisti logo.


Foi no Japão que tive meu primeiro contato com Aikido. Aí a pessoa pensa no templo de novo! Mas não, não foi assim. E nem foi com um japonês. Um colega francês, que também tinho ido pro Japão fazer intercâmbio, me mostrou golpes de aikido durante um acampamento anual em que os estudantes se encontravam durante o verão. Ok, você quer ter uma imagem clichê? Esse encontro foi aos pés do monte Fuji. Tá mais feliz agora?


A arte marcial que eu realmente pratiquei no Japão e que fez muito diferença na minha vida, na minha arte marcial e na minha apreciação da cultura japonesa no geral foi Kendô. Devo muito a Yamaguchi Sensei, que além de me ensinar muito sobre Kendô me levou para conhecer o norte do Japão e passar vergonha num restaurante de sushis (se você é meu aluno pode ter escutado essa história alguma(s) vez(es) ).


Quando retornei ao Brasil foi um ano de vestibular. Mas ao ingressar na UNICAMP, em Campinas-SP, tive professores na Faculdade de Teatro que me ensinaram noções de Capoeira (e muitas outras matérias de consciência corporal).


Quando retornei a Curitiba, eu acabei encontrando o Kendô da cidade. Oyama Sensei, fundador do encontro, ainda era vivo e uma força de ensino e perserverança. Também tive a sorte de treinar com Edison Hidemi Yamaguishi, infelizmente também ja falecido, que tinha uma compreensão de Kendô em seu corpo e no seu discurso que inspiravam a todos nós. Uma das minhas melhores "lutas" da minha vida foi com Hidemi Sensei, em que o nosso enfrentamento deu lugar a inúmeras experiências de variações de golpe, gerou uma conversa sobre a abrangência da arte marcial na vida e me dá uma saudade enorme de Kendô todas as vezes que penso naquele dia.


Depois eu fui experimentar Kung Fu, porque queria conhecer um fundamento chinês de arte marcial. Tive a sorte de ter como professor o mestre Rodrigo Wolff Apolloni que, além de excelente no Kung Fu, tem um olhar filosófico sobre arte marcial que fazia toda a diferença do mundo. Minhas boas aulas com Mestre Rodrigo começavam na sala e terminavam filosofando peripatecimamente pela praça Tiradentes.


Foi então que, há quase treze anos atrás, eu conheci o Ki Aikido. Eu tinha parado de fazer artes marciais há um tempo, porque eu não podia fazer mais aula de Kung Fu no horário do Rodrigo e o outro professor era muito "chute e não pense, soldado!", o que sempre me causou muita preguiça. Eu estava fazendo aulas de consciência corporal com Wilson Sagae (até hoje meu professor, mestre, conselheiro, padrinho de casamento) e tinha aulas de Ki Aikido logo depois. A galera do Ki Aikido era muito bacana e sempre me convidavam para ficar e fazer uma aula experimental, e devo dar destaque aos convites feitos pelo falecido Elson Suemitsu Sensei - cujo aikido e espírito me influenciam até hoje.


Um dia fiquei, e gostei muito. Mas muito! Bota muito nisso. Aí, como quem não quer nada, eles me falaram pra vir no dia seguinte que iria ter um seminário, que era o Seminário Nacional de 2008, lá no CDKI. Então a minha segunda aula de Ki Aikido foi com Kashiwaya Koichi Sensei, 8° Dan de Ki Aikido. No segundo dia de seminário eu estava fazendo tradução de Kashiwaya Sensei. No terceiro dia eu já estava no caminho no qual continuo ate hoje.


Dentro deste caminho encontrei - e encontro - muitas pessoas que foram importantes para a minha evolução no Ki Aikido. Aos poucos eu vou colocando o nome das pessoas por aqui, mas preciso destacar - além de Wilson Sagae Sensei - meu parceiro de aprendizado, de testes, de treino Marcos Bongiollo Sensei. Ele foi meu ukê de testes - e eu fui dele - até o nosso 3° Dan e nossos caminhos juntos foram importantíssimos para o Ki Aikido que pratico hoje.


Dentro desse caminho encontrei milhares de pessoas, que não eram ligadas as artes marciais, e que também foram importantes para o caminho que percorro. Mas essas vão virar tópicos de artigos do blog, de tempos em tempos.



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