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  • Andrei Moscheto

O eterno recomeçar


Há duas semanas atrás fui diagnosticado com COVID. O nome assusta, os sintomas assustam, a ameaça de que pessoas próximas tenham pego de você assusta, a lembrança da fatalidade assusta. Você racionalmente pensa que tomou suas vacinas, todas elas, e espera pelo melhor. Por causa da doença você decide acalmar seu corpo, se manter em descanso, e aguarda.

E aguarda.

E aguarda.

E – obrigado vacinas – passa.

Depois de algumas semanas afastado das atividades físicas você retoma seus hábitos e se depara com a novidade de que, apesar das décadas de dedicação a sua arte, a sensação é de recomeço. Imediatamente o seu corpo e o seu cérebro identificam as dificuldades e frustrações de estar lá, no início, e a vontade de se render a letargia são enormes.

Somos muito propensos a evitar a atividade física. Temos contra nós a tendência ao repouso, as infinitas possibilidades virtuais (entre as quais estão a ferramenta pela qual você está lendo este texto) e, no caso curitibano, ainda temos o frio que não ajuda.

Não vou mentir pra você que será recompensador, porque isso não é verdade pra todo mundo. Pra muito gente é apenas chato, enfadonho, que vontade de não estar aqui. Mas realmente acho que um corpo minimamente preparado ajuda a mente a lidar com os desafios da vida. Nem vou entrar no mérito se altera imunidade porque isso pode depender de corpo pra corpo, mas a saúde mental de se obrigar a fugir da letargia, largar o virtual, desafiar o clima, recomeçar, fazem com que seu corpo ensine a sua mente que é possível sim.

Então, esta semana, estou repetindo com o meu corpo “é possível sim” pra minha mente, pra ver se ela entende. De novo. E já vou preparando o terreno para as futuras vezes em que tiver que recomeçar.

Um abraço pra quem eu for ver online ou presencialmente nas aulas de Ki Aikido esta semana.


Andrei Moscheto

Professor em recomeço do Instituto Shukikan


Foto de Roberto Nickson no Pexels

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