O Ki Aikido e as linhas do corpo

A postagem de hoje fala sobre questões que eu conversei na aula desta manhã, no Instituto Shukikan, sobre linhas do corpo e de que temos dúvidas sobre questões do "ponto um".


Caso você não seja um praticante de Aikido: ponto um (também chamado de "itten", em japonês) é localizado abaixo do nosso umbigo num ponto central do corpo. Pela sua localização ele é o ponto de equilíbrio de um ser humano, por onde todos os movimentos deveriam começar e propagar. Na tradição oriental é comum encontrar referências a esta região do corpo em estudo anatômicos e espirituais, cada um com o nome de sua tradição. Caso você busque uma referência mais ocidental, imagem "O Homem Vitruviano", de Leonardo Da Vinci, e pense que se linhas diagonais cruzarem o círculo elas passariam pelo ponto central do corpo humano.


No trabalho de fazer os alunos entenderem o ponto um e suas ramificações, muitos professores sofrem com a tarefa, especialmente quando muitos de nós tem mais dúvidas do que certezas sobre isso. É um trabalho de conscientização amplo do corpo e de sua funcionalidade bio-mecânica, algo que não é simples de fazer mesmo, e requer paciência. Por parte de quem ensina e de quem aprende.


No lema de Ki Aikido diz que a gente almeja se tornar um com o universo, o que (convenhamos) não é a tarefa mais fácil do mundo.


Por causa da complexidade e abrangência desses tópicos, tenho buscado trabalhar com os alunos a sensação clara das linhas dos braços , das pernas e do corpo, num jogo pedagógico em que a soma das partes vire o todo da compreensão universal.


A ideia surgiu nas aulas de Wilson Sagae Sensei (sempre!), quando ele explanava sobre a posição dos braços para segurar uma espada de madeira de forma efetiva e de como ele, mesmo explicando da maneira mais direta possível, estava tendo dificuldades comigo. Então ele me colocou em posição de flexão de braço, explicou qual a sensação que eu deveria ter em comparação àquela e me colocou de pé de novo. Aí ficou rapidamente claro! Porque a explicação não tinha passado exclusivamente pelo meu racional ou pela minha observação: eu tinha uma experiência clara do corpo para me relacionar.


Deste então eu tenho colocado variações de exercícios de prancha nas aulas, para que o aluno possa entender sobre a conexão de todo o nosso corpo, para que ele sinta a "linha" da interação entre braços e pernas, pernas e cabeça, ponta do dedão até o topo da cabeça. Ao desenhar essas linhas mentalmente em seu corpo, o objetivo é que o aluno acabe desenhando esse esboço do Homem Vetruviano dentro de si e que fique cada vez mais fácil encontrar o ponto um e quaisquer outros pontos pelo corpo.


Este é um primeiro artigo sobre este tópico pedagógico das aulas. Espero poder voltar a ele com mais detalhes num futuro próximo.


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