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  • Wilson Sagae

Shodo e estilos

Shodo

O Shodo é a arte milenar que utiliza os caracteres da caligrafia japonesa como forma de expressão artística. "Sho" significa caligrafia, escrita e "Do" quer dizer caminho. Para os japoneses, a caligrafia tornou-se muito mais que um meio de comunicação. Ao longo da história do oriente, a escrita tranformou-se em atividade artística, religiosa e até uma maneira de meditação.

A arte da caligrafia atravessou mais de 1,5 mil anos de história para sobreviver em pleno início de século XXI através da prática de centenas de milhares de pessoas no Japão e outros países asiáticos.

As escolas japonesas mantém o shodo no currículo escolar e os concursos promovidos anualmente pelo jornal Mainichi incentivam a disseminação da arte entre praticantes de todas as idades. No Brasil, um seleto grupo de professores e cerca de 500 pessoas praticam o shodo.

Tinta à base de carvão, pincéis e papel branco são as matérias-primas básicas do praticante de shodo. Como em todas as artes, há padrões estéticos e técnicos, sobretudo para o iniciante, que começa reproduzindo kanjis, os ideogramas, e katakanas, a escrita mais simples, usada para palavras estrangeiras. As primeiras lições do shodo limitam-se à reprodução de katakanas. Em seguida, o iniciante avança para os kanjis em estilo kaisho (formas quadradas e traços mais estáticos). Mais adiante, o praticante começa a desenhar nos estilos gyosho e sosho (formas cursivas e traços mais sequenciais).

Ainda há outros dois estilos de caligrafia utilizados no shodo: o tensho e o reisho, que são formas mais primitivas de escrita. Os estilos antigos são usados nos carimbos produzidos pelos artistas de shodo. O carimbo é uma espécie de assinatura das obras, geralmente batido com tinta vermelha.

O material utilizado para a prática de shodo inclui a tinta negra à base de carvão, o sumi, também usada em outras artes, como o sumie; pincéis com cerdas de animais como carneiro, coelho, cavalo e rena e o washi, o papel japonês, produzido com fibra de bambu, palha de arroz ou bagaço de bananeira.

Uma das características da caligrafia japonesa é que as pinceladas requerem habilidade e concentração, razão pela qual a arte apresenta um certo grau de dificuldade. À medida que vai avançando nos treinos, o praticante pode criar um estilo próprio e dar vazão à criatividade e à imaginação. A expressão dos ideogramas diferem de acordo com quem escreve, o momento em que se escreve e o que se pretende exprimir.

Em níveis mais avançados, a individualidade do autor vem à tona através da forma dos traços e do conjunto, não se prendendo às regras da ortografia oficial.

Estilos

Tensho Reisho Kaisho Gyosho Sosho


A caligrafia japonesa compreende seis estilos diferentes. O tensho é a escrita mais primitiva do oriente. O reisho surgiu a partir da simplificação do tensho. O kaisho é o estilo no qual os caracteres são escritos com linhas retas, para facilitar a leitura. No gyosho e no sosho, o mais importante é a expressão estética. O kana, que surgiu da simplificação do kanji, utiliza formas mais simples.

A Milenar História da Caligrafia

1300 a.C - origem da escrita chinesa na Dinastia Yin.

221 a.C - padronização da escrita (denominada tensho) em escala nacional na China da Dinastia Shang.

202 a.C a 220 d.C - predomínio do reisho, que era uma simplificação do tensho durante a dinastia Han.

200 d.C - valorização da caligrafia como arte no final da Dinastia Han. Surgimento do shodo. Introdução da escrita de origem chinesa no Japão.

229 d.C a 681 d.C - surgimento de três estilos, o kaisho, o sosho e o gyosho, que deram origem mais tarde ao kanji durante a sexta dinastia.

681 d.C a 908 d.C - arte da caligrafia ganha importância na China durante a Dinastia Tang porque constituía parte obrigatória da cultura dos intelectuais e das classes superiores.

794 d.C a 1192 d.C - criação do kana no Japão no período Heian. Difusão do shodo na cultura japonesa.

1192 d.C até o século XX - shodo ganha importância no Japão, integrando as principais manifestações religiosas, culturais e artísticas.

Após 1950 - popularização do shodo no Japão. Realização de concursos e exposições. Diversificação de estilos e manifestações.


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