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  • Andrei Moscheto

SOCORRO, eu não estou evoluindo!



No nosso Instituto, no momento, nós temos duas atividades:


- O método criado e ensinado por Wilson Sagae Sensei, em aulas de ampliação de flexibilidade, respiração e consciência corporal


- As aulas de Ki Aikido, ampliando suas possibilidades corporais e espaciais através desta arte japonesa, com este professor que vos escreve


Ambos os caminhos oferecem exercícios e sequências que se repetem a cada semana, na busca de uma melhor motricidade por parte de quem estuda conosco. E é comum que, em algum momento, a pessoa deixe de ver uma “evolução” (sim, entre aspas) no seu processo.


Quando deixamos de ver aumentos significativos na nossa elasticidade, força, agilidade, podemos ter a impressão errada que deixamos o caminho do aprimoramento e não estamos mais fazendo o que é importante para nós mesmos – e isso não é verdade. Passado o conhecimento e aperfeiçoamento básico do nosso corpo os passos a seguir tornam-se extremamente custosos em tempo, alimentação, dedicação em todos os momentos da vida.


Eu sempre cito em aula um trecho do livro “The Element”, do pedagogo Ken Robinson, em que ele vai assistir um show da banda do seu irmão e fica fascinado com o tecladista novo. Depois do show, comendo ao lado do tecladista, ele fala a frase “Olha, eu queria tocar como você!”, ao que ouve como resposta:


- Não, não queria.

- Queria sim, tô te falando.

- Não queria não.

- Mas tô dizendo que eu queria tocar teclado como você!


O tecladista dá uma pausa, respira, e começa a listar o seu dia a dia: treino de teclado antes do café da manhã, treino musical depois do café da manhã, período de composição, período só de exercícios de digitação, etc, etc, etc, até que o tecladista retorna a pergunta, de um jeito que fica muito claro: pra tocar como eu tem que ter essa vida... Você topa?


Precisamos ser mais carinhosos conosco mesmo em relação a cobrança que fazemos da nossa “evolução”. Seu trabalho, semana a semana, tem repercussões muito positivas para o seu corpo e a sua saúde, mas nem sempre você vai ver um pulo da sua “evolução” e cobrar uma grande “evolução” de você, constantemente, é algo injusto a fazer consigo mesmo. Seu corpo não é celular que muda de modelo no ano seguinte, é seu lindo companheiro nesta jornada que é a sua vida.


A não ser que você seja um atleta de elite ou um antropólogo pesquisando Darwin, pare de olhar tanto para a “evolução”. Em vez disso pense na revolução de deixar de lado o sedentarismo e o quanto isso permite você a fazer o que quiser – inclusive, tocar teclado mantendo uma coluna saudável!


Andrei Moscheto

coordenador do Instituto Shukikan


Foto de David Gomes no Pexels

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